Brasil conseguirá eliminar a pobreza extrema, diz ONU

Brasil conseguirá eliminar a pobreza extrema, diz ONU

O representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Jorge Chediek, disse que o Brasil conseguirá cumprir uma das principais promessas da presidenta Dilma Rousseff e tirar toda a população da pobreza extrema. Ele falou depois de conhecer o estudo Vozes da Nova Classe Média, divulgado hoje (29) pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República. Segundo ele, as políticas do governo brasileiro para a nova classe média influenciarão a Organização das Nações Unidas (ONU).

“Vemos que políticas públicas sociais e econômicas farão com que o Brasil atinja o resultado de 100% de redução da pobreza extrema. E a ONU tem um compromisso assumido de combate à pobreza. Pensamos muito nisso, mas [pensamos] pouco no ponto de chegada, que é a classe média. É muito útil o Brasil estar pensando neste ponto de chegada”, disse o representante do Pnud.

Ministro da SAE e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), Marcelo Neri disse que “o fim da miséria é apenas o começo”. Segundo ele, a desigualdade teve uma “queda espetacular”, após o índice de Gini ter caído de 0,64 para 0,54 nos últimos dez anos. Esse índice, pelo qual zero representa a igualdade total de renda, é um dos mais usados para comparações socioeconômicas entre países.

“Em 2012, mesmo com [baixo crescimento do PIB] o chamado Pibinho, 35% das pessoas subiram [de nível social], enquanto 14% caíram. Isso mostra que o país vive mais prosperidade e oportunidade, e menos desigualdade”, acrescentou o ministro Marcelo Neri, após apontar a Carteira de Trabalho como maior símbolo da classe média.

Para Jorge Chediek, os números apresentados pelo estudo “são impressionantes”. Ele avalia que a formalização do emprego foi fundamental para os bons resultados. “O que mais melhorou a situação do país foi a criação de empregos. [Também] por isso é muito importante conhecer a classe média”, acrescentou. “A presidenta Dilma Rousseff disse que quer fazer do Brasil um país de classe média. Queremos influenciar a política e ampliá-la para fazer, também do mundo, um mundo de classe média”

O estudo Vozes da Nova Classe Média mostra a contribuição do empreendedor para a expansão da nova classe média brasileira. Tem como um dos destaques o aumento na formalização dos empregos. Entre as conclusões que se pode tirar com base no estudo está a de que 40% dos postos de trabalho disponíveis foram gerados a partir de pequenos negócios.

Dos 15 milhões de novas vagas abertas entre 2001 e 2011, 6 milhões foram criadas pelos empreendimentos de pequeno porte. Além disso, 95% delas são empregos formais. Ainda de acordo com o estudo, 39% do total de remunerações do país estão relacionadas a pequenos empreendedores – volume que supera os R$ 500 bilhões por ano.

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Gente de formação e de informação na tv do Brasil.

Eu recomendo acompanhar o E aí Doutor? da ;http://www.rederecord.com
Clínico geral, médico de família e especialista em qualidade de vida há 34 anos, Antonio Sproesser iniciou sua carreira como médico-assistente de cirurgia do trauma do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), foi diretor da Unidade de Terapia Intensiva de Clínica Médica da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP). Médico-Assistente da disciplina de Clínica Médica da UNIFESP. Consultor do “Projeto de Qualidade de Vida e Atividade Física” do Departamento de Informática em Saúde da UNIFESP. Atualmente atende no Hospital Albert Einstein.

Realizou especializações no exterior, em cidades dos Estados Unidos, Itália e Alemanha. Foi pesquisador no Orlando Regional Medical Center, em Orlando (EUA) e Diretor do Max Harry Weil Institute of Critical Care Medicine, em Palm Springs (EUA). É membro da Harvard Medical School Postgraduate Association.

Autor de Viver Bem com Qualidade, O Fator Wellness (Ed. Sapienza), livro no qual exemplifica, com casos reais vividos em UTI, a importância da medicina preventiva, dicas de bem estar, nutrição e atividade física.

É triatleta amador desde 1985. Compete nas distâncias short, meio ironman e ironman. Preparador Físico de Triathlon (Nível l) certificado pela United States Association of Triathlon (USA Triathlon). Diretor médico da Federação Paulista de Triathlon. Esquiador, explorador de montanha e travessia na neve.

Caos no transporte público, na saúde, na educação…

Dormimos e acordamos vendo as situações de desgoverno em setores de fundamental importância a todos nós. Hoje eu iria a São Paulo, mas não vou, mesmo eu pensando em ir de carro, achei prudente não fazê-lo, uma vez que as ruas estão complicadas, porque, quando setores do transporte público metropolitano entram em greve, buscando melhorias no trato com os funcionários de transporte e passageiros, a população lota as ruas e marginais. Vamos esperar acalmar… Mas aqui na baixada santista estamos na eminência de uma greve também no setor de transportes, talvez ainda nos próximos dias. Na saúde a baixada santista tem o maior índice de tuberculose do estado de São Paulo, alarmante, podemos dizer que sim. Isso decorrente das moradias precárias e situação social de munícipes. Ainda, faltam médicos e profissionais da saúde, por conta de salários que estão aquém do esperado às categorias e ou estruturas e suportes de trabalho.
Na educação estão faltando professores, pela questão salarial e a falta de atenção e desvalorização da categoria.
Envolvendo questões de políticas públicas ou digo a falta de gestão. Os equívocos no trato com esses assuntos pelo governo do estado de São Paulo.

Câmara aprova cinco requerimentos apresentados pela vereadora Professora Regina

Blog Vereadora Professora Regina…‏

Quinta-feira , 19 de Maio de 2011
12:40

Vereadora Prof. Regina (Em Sessão na Câmara)

Cinco requerimentos apresentados pela vereadora Professora Regina Célia de Oliveira (PT) foram aprovados pela Câmara Municipal de Itanhaém na segunda-feira (16). Apenas o Projeto de Lei 21/11, incluído na pauta, em cima da hora, teve a votação adiada por duas sessões, a pedido da própria autora da proposta.

A vereadora Professora Regina solicita ao prefeito João Carlos Forssell e ao Hospital Regional de Itanhaém esclarecimentos sobre a morte do jovem Leandro dos Santos Pontes. O primeiro atendimento de Leandro, segundo relato de familiares, ocorreu no dia 17 de abril, no Pronto Socorro de Itanhaém. “Depois de idas e voltas, ele foi internado, sem que um diagnóstico preciso tivesse sido apresentado. Havia suspeita de dengue e hepatite. Ele chegou a ser amarrado na maca, quando sofreu convulsões. Apesar da gravidade da situaç ão, ele só foi transferido ao Hospital Regional de Itanhaém, uma hora antes de morrer. O atestado de óbito informa que a causa da morte foi insuficiência renal aguda, síndrome febril ictero-hemorrágica aguda. Indignada com o atendimento e com a falta de agilidade para se conseguir uma internação emergencial, a família pede que todos os procedimentos sejam investigados”, relata a vereadora Professora Regina.

Transporte universitário – Aprovado o Requerimento 253/11 que enfoca o transporte universitário. A vereadora disse que continua recebendo reclamações sobre o constrangimento imposto a estudantes que atrasam o pagamento da mensalidade. A Polícia Militar teria, inclusive, sido acionada para que os alunos fossem retirados dos ônibus. “Por isso, apresentei requerimento destinado ao prefeito João Carlos Forssell e à Litoral Sul, responsável pela prestação de serviços, pedindo esclarecimentos sobre os fatos e providências para sanar os problemas”. Cabe ressaltar que, em resposta ao Requerimento 82/11, a Litoral Sul afirmou que analisaria o pedido de alteração da data de vencimento da mensalidade do transporte universitário para o dia 10 de cada mês.

A vereadora Professora critica a morosidade na resolução deste problema. “Esta questão já deveria ter sido resolvida há muito tempo pelas partes interessadas – Prefeitura e Litoral Sul. O que não pode continuar acontecendo são ações truculentas e constrangedoras, com estudantes sendo humilhados e tratados como bandidos. Além disso, a função da Polícia Militar não é retirar alunos de ônibus escolares”.

Pavimentação – Através do Requerimento 250/11, a vereadora Professora Regina solicita ao prefeito João Carlos Forssell informações sobre as providências tomadas para resolver os problemas existentes na execução do Plano Comunitário de Melhoramentos (PCM-55), tais como a data do recebimento das obras, qual profissional realizou a vistoria de recebimento do serviço e se foram cobradas da empresa que executou o serviço, a correção de irregularidades.

“Faço tal requerimento, pois conforme constou no Ofício GP 387/2011, assinado pelo prefeito, em resposta ao Requerimento 62/2011, ele que a SABESP realizou obras na rede de esgoto, ocasionando as possíveis irregularidades. No entanto, o prefeito está equivocado, uma vez que a região atendida pelo PCM-55, do Jardim Suarão até o Balneário Marrocos, lado morro, ficou fora do Projeto Onda Limpa, portanto é impossível ser a SABESP, a responsável por tais irregularidades. Além disso, considero um desrespeito à Câmara M unicipal, o prefeito encaminhar uma resposta com conteúdo não verdadeiro. Em todo o PCM-55, há várias irregularidades constatadas a “olho nu”, porém, até a presente data não foi tomada nenhuma providência pela Administração Municipal para solucionar o problema”, explica.

Guarda Municipal – No Requerimento 254/11, a vereadora Professora Regina questiona a Prefeitura se há previsão para substituição do fardamento completo dos guardas municipais e dos agentes de trânsito, que estão desgastados pelo tempo de uso, aquisição de equipamentos de segurança para e aumento da frota da GM. A corporação realiza um valoroso trabalho na Cidade e, portanto, necessita de mais atenção e investimentos em remuneração, equipamentos, farda, v iatura e treinamento. Não faz segurança pública, se os recursos humanos não tem o aparato necessário para desempenhar as funções efetivamente. “Além disso, é uma vergonha para a Cidade, apresentar guardas municipais e agentes de trânsito com fardamento velho”.

Teatro ou auditório – A vereadora Professora Regina pede à Prefeitura informações sobre a construção de teatro municipal. “Esta obra vem sendo bastante alardeada pelo prefeito Forssell em vários eventos oficiais. Pedi informações sobre o valor do investimento e o prazo de execução. Minha dúvida é se o projeto é na verdade o auditório da Secretaria de Educação, objeto da concorrência pública 06/2010, e que está sendo citado como um teatro municipal. São dois tipos de obras bem diferentes”, explica.

http://prof.regina.blog.uol.com.br/

Falta de gestão na saúde municipal de Itanhaém

Estou acompanhando o andamento dos serviços prestados pela administração municipal de Itanhaém, principalmente em relação ao setor da saúde. Foi anteriormente anunciado pela administração, a transferência do Pronto Socorro, sendo que este estaria passando a atender aos munícipes e turistas da cidade na nova UPA, situada no bairro do Jardim Sabaúna, próximo ao trevo da Cesp (esta em construção), ressaltando ainda as informações do site da prefeitura, o atual Pronto Socorro daria lugar “a uma moderna instalação que atenderá a demanda de dermatologia e cardiologia…”, entendemos que a construção seria rápida para a transferência, mas, como tudo tem um “MAS”, as ampliações do Pronto Socorro, segundo a informação da própria prefeitura,começará na próxima segunda-feira. Pergunta: vamos trabalhar em meio a reformas? E a UPA pelo jeito vai demorar quanto tempo? (pelo andamento das obras, a coisa chegará em 2012). Pobres munícipes que necessitam agora de atendimento.

Ministro Alexandre Padilha lança Campanha de Vacinação

Ressaltando:
A Campanha de Vacinação contra a Gripe conta com novidades – serão imunizados maiores de 60 anos, indígenas, gestantes, crianças de 6 meses a 2 anos, trabalhadores da Saúde.

(*)Ministro da Saúde

Ministério da Saúde libera verba e Samu de Itanhaém é ampliado

Obras de reestruturação

Domingo, 24 de abril de 2011 – 20h57

Da Redação

As obras de reestruturação da central de regulação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu-192) de Itanhaém começam a partir desta semana. Uma reunião nesta segunda-feira pela manhã definirá o dia exato do início dos trabalhos, informa a secretária de Saúde do Município, Joseane Arrivabene.

“Acho que será possível começar a obra entre quarta e quinta-feira. Mas vamos definir tudo isso nessa reunião”.

O Ministério da Saúde liberou R$ 390 mil para a reforma e ampliação do serviço que, com a mudança, passará a atender todas as cidades localizadas entre Praia Grande e Pedro de Toledo.

“Com a central pronta, as chamadas feitas para o 192 na região cairão em Itanhaém”, explica a secretária. A previsão é que as obras de reestruturação terminem em 120 dias.

Mudanças

O Samu terá o dobro do espaço atual. O call center será ampliado – contará com uma área de 90m² – e terá 17 estações de atendimento. Elas serão divididas em telefonistas auxiliares e médicos reguladores.

Além disso, haverá um novo sistema de comunicação, servidor para armazenamento de dados e sistema de gravação de telefonia. Serão adquiridos equipamentos novos e mobiliário para regulação médica.

“Vamos aumentar o número de profissionais e de viaturas para dar conta do atendimento”, explica Joseane.

A secretária informa ainda que entre os veículos haverá mais motos, para agilizar os atendimentos emergenciais.

“Teremos um ganho enorme, com intervenções mais rápidas. O mesmo papel que o Samu tem hoje para Itanhaém, ele terá agora para toda a região”, acrescenta Joseane Arrivabene.

Fonte: www.atribuna.com.br

Saiba como conseguir remédios de alto custo pelo SUS

Advogados mostram o que é necessário fazer até em casos de negativas

remédios

Do R7, com Jornal da Record Texto:

Quem não tem como pagar por remédios ou tratamentos tem o direito, por lei, de recorrer à rede pública de saúde para obtê-los. O SUS (Sistema Único de Saúde) disponibiliza uma lista de 560 medicamentos que são distribuídos gratuitamente em todo o país em unidades de saúde, de acordo com o Ministério da Saúde.

Tais remédios são classificados como “básico” (hipertensão e diabetes, são alguns), “estratégico” (Aids, tuberculose e hanseníase, por exemplo) e “especializado” (ou de alto custo), conforme o tipo de doença.

No caso dos últimos, os remédios nem sempre condizem com os de maior preço, mais são assim chamados pelo nível de complexidade do tratamento, segundo o Ministério da Saúde.

Para não haver mais dúvidas, o R7 consultou o Ministério da Saúde e os advogados especialistas em Direito da Saúde Tiago Matos Farina, diretor jurídico do Instituto Oncoguia e Vinícius de Abreu, representante jurídico da ONG Saúde Legal, que mostram todos os passos necessários para conseguir os medicamentos.

Aprenda a forma certa de pedir os medicamentos

Para solicitar os medicamentos, o paciente deve, primeiramente, estar cadastrado no SUS. Feito isso, ele deve levar alguns documentos à unidade de saúde onde vai fazer o pedido. Vale saber, no entanto, que não é em qualquer unidade que se poderá fazer isso, pois somente em algumas ocorrem a entrega específica de medicamentos de alto custo. Fato que, segundo Abreu, da Saúde Legal, tira a agilidade do processo.

– O certo seria ministrar esses remédios em qualquer posto. Mas existe todo um protocolo que dificulta e as pessoas precisam utilizar outras armas, por vezes jurídicas, para conseguir os medicamentos.

Para entender como isso funciona, leia os dez passos indicados pelos especialistas.

Veja também a matéria do Jornal da Record sobre assunto.

Assista:

Advogados mostram como recorrer à Justiça para conseguir remédios

Saúde não dá no hospital nem no posto

Reproduzo Viomundo

8 de abril de 2011 às 23:56
por Ana Reis*

Desde o fim da ditadura, os movimentos sociais, os feministas inclusive, e com muita força, têm lutado por políticas públicas para impedir a destruição neoliberal do sistema público de saúde, exigindo que os serviços melhorem e se multipliquem.

O acesso a serviços de qualidade tem que ser garantido para todas e todos. Mas… será que isso basta para ter saúde? O que deixamos de fora da agenda quando na pauta “saúde” as reivindicações ficam centradas nos serviços médicos?

Uma comunidade que não disponha de renda, comida, água limpa, esgoto sanitário, coleta de lixo e habitações dignas e mesmo assim tenha acesso a um hospital com as últimas tecnologias de diagnóstico, tomografia e ressonância magnética vai ser saudável?

Pensar a saúde associada à medicina é como achar que se você tem cartão de crédito é rica.

O que a medicina pode fazer, quando pode, na maioria das vezes é tratar das doenças. Tirando as vacinas, a prevenção das enfermidades e a construção da saúde, que é diária, fica praticamente fora dos serviços de saúde.

Mas quando se precisa das consultas médicas, sabemos como elas funcionam: alguns minutos, medir pressão, pedir exames de sangue, urina. Mais exames, mais consultas, mais pagamentos para um mesmo atendimento. Tem gente que até diz que já começou o tratamento quando fez um exame qualquer de laboratório.

E exame trata alguma coisa?

Na maior parte dos casos os pedidos desses testes servem para maquiar a falta de escuta das queixas, a falta do exame físico cuidadoso, ou seja: a falta de medicina clínica que examina a pessoa e sabe qual o problema e como tratar. O laboratório só entra para confirmar ou não as hipóteses de diagnóstico.

Assim funciona a medicina clínica, ouvindo o que a pessoa traz, o que sente, olhando e examinando o corpo. Sem roupa. Com tempo e respeito.

E quando se tem acesso aos hospitais é bom torcer para não pegar uma infecção hospitalar, uma “intercorrência” absurda e criminosa, que devia ser alvo de ações judiciais e indenizações.

A má qualidade de atendimento resulta, em boa parte, do próprio sistema de formação das faculdades de medicina que orienta alunas e alunos para as especializações e para a atuação em hospitais super equipados. O conhecimento fica fragmentado e insuficiente e, para piorar, o pessoal se torna arrogante e autoritário.

As más práticas médicas não estão somente nos serviços públicos. As mortes por lipoaspirações e o récorde de cirurgias plásticas são escândalos das clínicas privadas.

Recentemente, devido à deterioração e descrédito da medicina mercantilizada e sucateada, houve um crescimento importante das chamadas terapias alternativas tradicionais, como a homeopatia, a acupuntura, as massagens, o uso de ervas medicinais.

Além disso, a fragmentação das especializações fez crescer o papel das psicoterapias, da orientação nutricional e da fisioterapia, entre outras. A maior presença de profissionais dessas outras áreas causou uma reação furiosa entre os mais reacionários do poder médico, dando origem ao Projeto de Lei do Ato médico, que pretende concentrar nas mãos da medicina a chefia das equipes de saúde e o poder/saber do diagnóstico. A lei já foi aprovada na Câmara e está ainda sob debate tramitando no Senado.

Outra demonstração do poder médico é a reação feroz às casas de parto e mais recentemente ao curso de obstetrizes na USP. Qualquer tentativa das mulheres tomarem nas próprias mãos o controle da procriação é violentamente atacada. Fecham as casas de parto, negam o acesso ao conhecimento. Estamos voltando às fogueiras da igreja católica, que em 3 séculos assassinou 8 milhões das mulheres que tinham o saber/poder sobre seus corpos?

Paralelamente, a indústria farmacêutica vem reagindo ao uso de ervas medicinais e remédios homeopáticos, forçando regulamentações e retirada do mercado desses recursos que são eficazes, têm mínimos efeitos negativos, são mais baratos e acessíveis.

Todas essas questões interferem na saúde das mulheres.

Mas além de serviços e remédios, a saúde depende fundamentalmente daqueles fatores lembrados no começo.

As lutas pelo emprego, pela comida, por água e esgoto fazem parte das agendas há muito tempo. A atualização dessa lutas, no entanto, tem se tornado mais complexa com o avanço do capitalismo industrial.

Não basta ter alimentos, se estes estão contaminados com agrotóxicos, se são transgênicos, se têm quantidades absurdas de conservantes, corantes, estabilizantes, espessantes e um monte de “antes” que a maioria das pessoas nem lembra de ler nas embalagens.

Toda mulher que cozinha sabe que se fizer uma fornada de biscoitos e que – se sobrarem alguns depois do ataque das crianças – em pouco tempo eles estarão duros ou mofados. Imagine a quantidade de produtos químicos que contêm os industrializados para durarem meses nas prateleiras dos mercados. Depois ninguém sabe porque estamos assistindo a uma epidemia de câncer no planeta. Isso sem falar nos salgadinhos bem salgados e cheios de gordura que estão deixando as crianças com pressão alta e obesas.

Quanto ao abastecimento de água, ignoramos todas as substâncias químicas que os sistemas de “purificação” não conseguem retirar. De hormônios a antidepressivos, metais pesados e sabe-se lá mais o quê. Então, não basta ter água. Precisamos saber o que vem nessa água. E que ela seja realmente potável.

O ar poluído das grandes cidades, o ar das queimadas no campo causam doenças também.

Os produtos com “cheirinho de limpeza”, os produtos de “beleza”, cremes, xampus, alisantes de cabelo, são fontes de doenças sobretudo para as mulheres, muito mais expostas a eles.

Recentemente o Greenpeace fez uma pesquisa da poeira doméstica em 4 cidades brasileiras que revelou a presença de substâncias que dão câncer, interferem nos hormônios e nas defesas imunológicas.

Mas a pressão para se usar só substâncias conhecidamente inócuas ainda é muito frágil entre nós. A propaganda nas novelas e nos programas infantis empurra esse lixo tóxico para a população.

Assim como ela não dá no posto nem no hospital, a responsabilidade de controlar a saúde nos alimentos, na água e no ar atmosférico não fica no Ministério da Saúde. Como sabemos, no caso dos produtos agrícolas entupidos de agrotóxico, o controle fica nas mãos do agronegócio que controla o Ministério da Agricultura. E, no Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária não cumpre suas responsabilidades.

As decisões sobre os trangênicos fica nas mãos da CNTBio, onde a preocupação/responsabilidade com a saúde da população não tem vez nem voz.

Então, quem controla tudo isso?

Outro fator importante para a saúde das mulheres é a diminuição do esforço físico no trabalho doméstico. Serviços públicos de lavanderias coletivas – com máquinas de lavar – são urgentes. Creches e restaurantes coletivos igualmente urgentes.

Para a chamada saúde mental, espaços de convívio e trocas de experiências e saberes são também necessários, assim como o tempo e o lugar para o lazer. Qualquer comunidade, por mais pobre que seja, tem um campinho de futebol e o buteco com a sinuca.

Os homens por mais marmanjos que sejam, têm tempo livre e lugar para brincar e se divertir. Para as mulheres, encontrar outras e conversar, só nas filas do posto de saúde e nas igrejas. Por ironia nada engraçada, dois lugares dos discursos mais patriarcais e inimigos da nossa autonomia: o discurso médico e o religioso.

Se o governo fizesse colônias de férias e garantisse para as mulheres ao menos 10 dias de repouso e diversão por ano – sem tomar conta das crianças e sem obrigações – a economia do SUS em remédios e atendimentos pagaria essas colônias.

Da mesma forma, o acesso das mulheres à prática de esportes não competitivos oferece oportunidades de vida social para todas as idades e promove saúde.

Antidepressivos e calmantes não resolvem, só pioram as condições psíquicas. Manter as mulheres sob a camisa de força química dos medicamentos é uma estratégia de dominação disfarçada em atendimento.

Por fim, é preciso falar das questões que estruturam as desigualdades em nossa sociedade. Falar delas por último deixa mais acesa na lembrança a sua urgência. Essas questões são o racismo, a misoginia, a heteronormatividade e o classismo, formas de dominação, exploração e exclusão baseadas no ódio, no desprezo, cujas práticas estão presentes nas relações sociais e que resultam em sofrimento, doenças e mortes. Práticas presentes também no posto, no hospital, da recepção à sala do parto, nas consultas e na falta delas.

Como falar em humanização sem enfatizar o racismo, a misoginia, a norma heterosexual e o classismo institucionais?

Com certeza estes serão debatidos na Conferência Nacional de Saúde convocada pelo governo para este ano. Que não seja mais uma conferência que resultará em propostas de políticas sem verbas.

E por fim mesmo, cabe perguntar como andam as instâncias de controle social e como funciona o acesso a elas. Burocratizaram-se? Transformaram-se em capitanias hereditárias das facções dos partidos? Das centrais sindicais? Ou são estruturas dinâmicas, lugares de exercício da cidadania apontando para possibilidades de autogoverno? Qual a sua representatividade? Repetem relações racistas, misóginas, LGBTT-fóbicas, burguesas?

Vivemos um momento histórico de grandes oportunidades, com uma mulher presidenta, pela primeira vez. Que seja a primeira de uma longa série….

Fazer desse e dos próximos, um governo antirracista e feminista depende de todas. Com ousadia e rebeldia.

* Ana Reis é médica em Salvador, BA.

Nenhuma escola é ilha

Reproduzo do Blog Viomundo

8 de abril de 2011 às 23:45

por Ana Flávia C. Ramos, em Tabnarede

Tragédias como a ocorrida na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, sempre provocam grande comoção pública, indignação e, obviamente, tristeza pelas muitas crianças perdidas no atentado. Além desses sentimentos, tais fatos provocam também um grande tsunami de “especialistas”, mobilizados em velocidade estonteante pela mídia, para dar laudos e explicações quase matemáticas sobre as motivações do assassino. O atirador Wellington Menezes de Oliveira, segundo as informações desses “cientistas da tragédia” (que variam de “criminólogos” a policiais militares), era tímido, solitário, filho adotivo, “usuário” constante do computador (a “droga” dos tempos modernos segundo os “analistas”), ateu, islâmico, fanático, fundamentalista, portador do vírus da AIDS e, provavelmente, vítima de bullying na escola.

Certamente não há como contestar que todo ato humano, e por isso histórico, se explica a partir da análise de uma cadeia de relações complexas. Como digo aos alunos, nada tem resposta simples e direta. Entretanto, o tipo de questão levantada para entender o terrível ato de Wellington Menezes de Oliveira diz muito mais sobre nós mesmos do que sobre ele. Todos os nossos preconceitos estão embutidos nessas respostas. De fato, não sabemos, e talvez nunca saibamos, por que exatamente ele atirou contra cada uma das crianças (em sua maioria meninas), assim como não sabemos sobre as reais motivações dos muitos atentados como esse, ocorridos em países como Estados Unidos e Dinamarca. Mesmo depois de tudo o que se discutiu, ainda é difícil, por exemplo, explicar Columbine (abril de 1999).

Uma das coisas que mais tem me chamado a atenção é a recorrência da explicação que elege o bullying escolar como um dos fatores que podem desencadear esse tipo de ato violento. A explicação não é nova, Columbine é prova disso. Há mais de dez anos atrás, dois meninos entram em uma escola, de capa preta (quase como em um filme hollywoodiano) e atiram em seus colegas. “Especialistas”, gringos agora, se apressam em dizer as razões: divórcio nas famílias, videogames, filmes violentos, Marilyn Manson, porte de armas facilitado e, como não poderia faltar, bullying na escola.

É inegável que o bullying é uma realidade. É indiscutível que ele é extremamente nocivo e doloroso aos alunos que sofrem com ele. É evidente que há urgência em iniciar um debate para saber como sanar o problema. Mas a pergunta que fica é: o que de fato é o bullying? Ele é um sinal (histórico) de que? E ainda mais: ele é um problema restrito à escola? Por que os alunos são tão cruéis com seus colegas?

Michael Moore, cineasta norte-americano explosivo, tentou dar a sua interpretação para o atentado de Columbine com o documentário Bowling for Columbine (2002). Moore, ao invés de repetir os clichês da mídia, foi implacável na destruição do senso comum das justificativas moralistas para o evento. Item por item, desde a desagregação da família, Manson, até a polêmica questão do porte de armas foram desconstruídos em sua narrativa. O foco centrou-se em respostas muito mais interessantes, localizadas não nos dois jovens assassinos, mas na sociedade americana. O imperialismo militarista dos Estados Unidos, a ação violenta em outros países, a política do medo (incentivada pelo Estado e pela grande mídia), que reforça e superestima dados sobre a violência urbana, sobre o fim de mundo, e, principalmente, a intolerância com todo tipo de diferença. Racismo, preconceito, homofobia, conflitos religiosos e luta de classes são só alguns dos ingredientes do caldeirão de ódios em que se transformou a sociedade americana.

Como crescer no Colorado, na “livre” América, e não ser conspurcado por esses valores? Como não idolatrar armas e achar que elas são um meio prático de solucionar problemas? Como viver imune a uma sociedade individualista, capitalista, que divide os seus cidadãos o tempo todo em “winners” e “losers”? E mais ainda, como não se deixar levar por uma sociedade que até hoje não consegue lidar com a diferença entre brancos e negros? Uma sociedade que até os anos 1960 não oferecia direitos, oportunidades e tratamentos iguais a todos os seus cidadãos, tem o que para oferecer ao pensamento dos estudantes? Os americanos, ainda hoje, estão preparados para o respeito à diferença? A relação que eles mantêm com os muçulmanos diz muito. Definitivamente a liberdade e o respeito ainda não se transformaram em uma unanimidade por lá.

É claro que mesmo Moore não chega a dar respostas definitivas sobre a questão. E mais ainda: é evidente que ele considera a forma pela qual a instituição ESCOLA trata seus alunos (hierarquias e classificações hostis), ignorando muitas vezes o bullying, tem sua responsabilidade no massacre. Assim como é nítido que a venda facilitada de armas e munição são coadjuvantes importantes da história. Mas Moore foi corajoso ao lançar em cada um dos americanos a responsabilidade da tragédia e discutir aquilo que ninguém teve coragem (ou má fé) de fazer. Nem a mídia, nem o governo, nem a sociedade. É preciso encarar os “monstros”, com franqueza, e não apenas “satanizar” o ambiente escolar, para dar algum significado para esses eventos.

Ontem no Terra Magazine o antropólogo Roberto Albergaria afirmou que a mídia e a sociedade brasileira desejavam o impossível: explicações para um “desvario sem significado”. Segundo ele, o que Wellington Menezes praticou foi o que os estudos franceses chamam de “violência pós-moderna”, caracterizada por uma ruptura irracional, sem explicação. De fato, talvez tenha sido um “ato irracional”, fruto de um momento de insanidade. Mas acredito que esse tipo de resposta não nos ajuda a resolver coisas importantes sobre nós mesmos. A tragédia no Realengo, a meu ver, pode e deve ser início de um debate importante sobre a nossa sociedade.

A tragédia na escola do Rio de Janeiro acontece num contexto bastante relevante. Em outubro de 2009, Geyse Arruda foi hostilizada por seus colegas de faculdade porque, segundo eles, ela não sabia se vestir de modo “apropriado” para freqüentar as aulas. Em junho de 2010, Bruno, goleiro do Flamengo, é suspeito de matar a ex-namorada, Elisa Samudio, por não querer pagar pensão ao filho. Suposta garota de programa, Samudio foi hostilizada na opinião de muitos brasileiros. Após rompimento, Mizael Bispo, inconformado, mata sua ex-namorada Mércia Nakashima em maio de 2010. Em novembro de 2010, grupos de jovens agridem homossexuais na Avenida Paulista, enquanto Mayara Petruso incita o assassinato de nordestinos pelo Twitter. E mais recentemente, em cadeia nacional, Jair Bolsonaro faz discurso de ódio contra homossexuais e negros. Tudo isso instigado e complementado pelo discurso intolerante, preconceituoso, conservador e mentiroso do candidato José Serra à presidência da República. A mídia? Estava ao lado de Serra, corroborando em suas artimanhas, reforçando preconceitos contra Dilma, contra as mulheres e contra os tantos mais “adversários” do candidato tucano.

Wellington matou mais meninas na escola carioca. Se, por um lado, jamais saberemos as reais razões que o fizeram agir dessa forma, por outro sabemos o quanto a sociedade brasileira tem sido, no mínimo, indulgente com atos de intolerância, machismo, ódio e preconceito contra mulheres, negros e homossexuais. Se não há uma ligação direta entre esses diversos acontecimentos, eles pelo menos nos fazem pensar o quanto vale a vida de alguém em um contexto de tantos ódios? Quantas mulheres morrerão hoje vítimas do machismo? Quantos gays sofreram violência física? Quantos negros sentirão declaradamente o ódio racial que impregna o nosso país? O que é o bullying se não o prolongamento para a escola desse tipo de mentalidade? Quantas pessoas apoiaram as declarações de ódio de Bolsonaro via Facebook? Aquilo que acontece no ambiente escolar nada mais é do que um microcosmo do que a sociedade elege como valores primordiais. E o Brasil, que por tanto tempo negou a “pecha” de racista e preconceituoso, vê sua máscara cair.

Não adianta culpar o bullying, achando que ele é um problema de jovens, um problema das escolas. Não adiante grades e detectores de metal nas entradas ou a proibição da venda de armas. Como professora, sei que o que os alunos reproduzem em sala nada mais é do que ouviram da boca de seus pais ou na mídia. Não adianta pedir paz e tolerância no colégio enquanto a mídia e a sociedade fazem outra coisa. Na escola, o problema do bullying é tratado como algo independente da realidade política, econômica e social do país. Mas dá pra separar tudo isso? Dá pra colocar a questão só em “valores” dos adolescentes, da influência do malvado do computador ou dos videogames? Ou é suficiente chamar o ato de Wellington de uma “violência pós-moderna” sem explicação? Das muitas agressões cotidianas, a da escola do Realengo é apenas uma demonstração da potencialidade de nossos ódios. A única coisa que me pergunto é: teremos a coragem de fazer esse tipo de discussão?

Ana Flávia C. Ramos é professora, historiadora pela Unicamp

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