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Diretor da Rede TV: “Quero Brasileirão na hora da novela”

11/03 às 16h58 – Atualizada em 11/03 às 17h06

Eliano Jorge

Nos últimos minutos da reunião do Clube dos 13 que selava a venda dos direitos de TV aberta dos Campeonatos Brasileiros de 2012 a 2014, um diretor da entidade relatava por celular:”São as três horas mais tensas que já passei”.

Marcado para as 10h desta sexta-feira (11), só às 12h40 houve o anúncio do vencedor da licitação, na sede comercial do C13, na capital paulista. Com a desistência de Globo e Record, a Rede TV! confirmou a zebra, prometendo R$ 516 milhões por cada temporada. Mas condicionou o acerto à “anuência dos 20 clubes que integram o Clube dos 13 atualmente”.

Estavam presentes a diretoria do C13, representantes de São Paulo, Atlético Mineiro, Internacional, Coritiba, Atlético Paranaense, Bahia e Goiás, além do professor Antonio Zoratto Sanvicente, do Instituto de Ensino e Pesquisa, contratado para medir as propostas.

“Às 10h, vi que não apareceu mais ninguém, e entreguei o envelope. Tinha outro guardado, com valor mais alto, mas não foi preciso”, narrou o diretor de relações institucionais da Rede TV!, João Alberto Romboli, sem querer revelar o preço da carta escondida na manga do paletó.

Sua emissora pode sublicenciar a transmissão a uma concorrente, pagando ao C13 mais R$ 103 milhões.

“Não é nosso desejo dividir (com outra TV)”, afirmou Romboli, que não descartou essa possibilidade. “Quero pôr na (hora da) novela”, confessou, referindo-se ao horário nobre da Globo e abrindo pela enésima vez o sorriso largo de uma felicidade indisfarçável. “Não temos novela. O futebol será nossa novela”.

Dois pontos atrasaram o acerto: a necessidade de consenso entre todos os filiados e a garantia financeira com contratos dos anunciantes da Rede TV! ao invés das onerosas cartas-fiança.

Prorrogação

O ar de indefinição persiste entre os cartolas.

“Vamos conversar. Quem vai decidir são os clubes”, frisou o presidente do C13, Fábio Koff.

“Vamos esperar”, esquivou-se João Bosco, conselheiro do Goiás.

“Começou agora”, avisou o diretor jurídico do C13, Celso Rodríguez.

“Podemos empacar e não ter imagem (de jogos) para nenhum dos lados”, declarou o diretor executivo Athaíde Gil Guerreiro, cogitando um impasse entre TVs.

“Resolveu o problema? Não sei. Acho que nenhum de nós aqui pode dizer”, admitiu o presidente são-paulino Juvenal Juvêncio.

A predileção dos dirigentes é pela poderosa e tradicional Globo. Metade do C13 promete barganhar suas cotas separadamente, embora o estatuto determine o pacote coletivo.

“Tem uma questão jurídica aí. Talvez já tenha isso (a autorização dos clubes) por escrito, vamos ver”, comentou o advogado de um dos clubes filiados, sorrindo com expressão de confiança.

Guerreiro guarda sigilo sobre a forma de comunicar e convencer os 20 clubes a aceitarem a Rede TV!. “Não tem prazo. Vamos montar uma estratégia”.

Ele contabiliza oito aliados: São Paulo, Atlético Mineiro, Inter, Atlético Paranaense, Bahia, Portuguesa, Guarani e Sport. Indica Vitória e Goiás “em cima do muro”. E lista 10 insurgentes: Corinthians, Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Coritiba, Cruzeiro, Grêmio, Palmeiras e Santos.

Na hora da novela

“Parabéns para o Brasil”, comemorou Romboli. “É nosso!”, vibrou, antes do condicional: “Se houver o compromisso com o resultado”. Ele não crê em reviravoltas. “Eu não perderia meu tempo”, disse, sobre os esforços até agora.

Rodríguez garante que as emissoras, isoladamente, ofereceram menos dinheiro aos clubes do que cabe a cada um na bandeja da Rede TV!:

“Todas as propostas são seguramente menores”.

Ele aponta dois impedimentos para as conversas independentes: a orientação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra tratativas direcionadas e a saída não formalizada do C13.

A empolgação da sua emissora com a bola começou na Série B de 2008. “Só nós tínhamos o Corinthians (na TV aberta)”, festejou o palmeirense, satisfeitíssimo pela audiência alvinegra.

“Aí deu coceira”, brincou Romboli, sobre a vontade despertada de investir no esporte. Campeonatos europeus deram sequência à experiência. “Já aprendemos algumas coisinhas”. Ele cita os desfiles de lingerie em programas de auditório da Rede TV! que coincidem com os intervalos dos jogos de futebol exibidos pelas concorrentes e fisgam o público que zapeia entre os canais.

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